29 de setembro de 2020

Habilidades Sociais e Covid 19

por Sandra Paro

Para quem conhece o DSM-5 e sabe que, um dos déficits apresentados no documento sobre o autismo está ligado às habilidades sociais e entende que, em um momento de pandemia as medidas restritivas tomadas pelos governos a fim de evitar sua disseminação são as de permanecer em casa, também entende que muitos atendimentos foram prejudicados, tratamentos foram abandonados e os desafios começaram.

Já que a necessidade impera e os vulneráveis são muitos: idosos, obesos, diabéticos, pacientes em reabilitação, autistas, deficientes e comunidades carentes de todo o tipo, somos o próprio grupo de risco no Brasil, onde a pandemia avança e surpreende as autoridades e continua a colapsar a saúde, também carente de atenção na nossa amada pátria.

Sobre as habilidades sociais, ficar em casa para pais e filhos, nesta situação, crianças com necessidades especiais, como na condição do espectro do autismo acaba sendo um desafio inesperado para quem tinha um tratamento organizado, com atendimentos, rotinas e intervenções individualizadas.

São muitas as preocupações da família e da sociedade de um modo geral; a contenção do contágio é uma das principais, mas temos outras preocupações como: a limitação do apoio físico e presencial dos terapeutas, a mudança da rotina e o processo de adaptação da família, o aumento natural do estresse de ainda não ter encontrado um caminho nessa nova maneira de viver, tanto para os pais, cuidadores e crianças no TEA.

A saúde de todos é uma prioridade que deve ser elencada acima de tudo, mas os problemas comportamentais não esperam, eles aparecem e escalam e somam com outros tantos que a família enclausurada já apresenta.

No Brasil, o isolamento social iniciou em meados de março de 2020 e hoje já temos números, dados, resultados de problemas associados: casos de ansiedade, depressão entre outros.

O que fazer com nossas crianças no espectro do autismo? Cada indivíduo é único, mas podemos tentar algumas estratégias para mudar o ambiente e adequar a nova situação, seguem algumas dicas, vejam o que cabe a cada situação, o que é possível realizar, mas sempre tenham em mente a verdade e a necessidade de cada circunstância e nunca coloquem sua criança em risco, ela precisa do seu bom senso.

Algumas ações que fazem toda a diferença:

1 – Estruturar atividades de rotinas diárias – a rotina foi interrompida, o funcionamento executivo está abalado, os problemas de planejamento atingiram até mesmo os adultos da casa, então é hora de organizar… planejar ajuda a ter uma previsão das tarefas e organizar mentalmente o que acontecerá no dia.

2 – É importante reservar um momento para o lazer durante o dia, é claro que as crianças gostam de brincar, e quando o momento é junto com a família, melhor ainda, ajuda na socialização e na manutenção do ambiente harmônico.

3 – Um bom momento para trabalhar as emoções, os gestos e explorar as situações emocionais de crianças com autismo. A través da modelação você pode ajudá-los a entender como se sentem.

4 – É muito importante que as crianças que já estavam encaminhadas nos atendimentos não os interrompam, mas há um fator agravante: a ansiedade é uma das comorbidades mais comuns entre os autistas, ou seja, as terapias presenciais foram interrompidas, como continuar? A modalidade de vídeo é recomendada, online ou áudio, o importante é achar a topografia mais adequada para cada paciente, pois pode diminuir a ansiedade e melhorar o humor.

5 – É muito importante dedicar um horário para o dever de casa. Essa é uma rotina que deve ser mantida. Mesmo que algumas crianças não consigam manter o aproveitamento das aulas online, a rotina de tarefas é essencial para que a criança fique conectada à escola.

6 – O tempo livre para as crianças deve ser mantido, todos precisamos de momentos para nós. As estereotipias podem aumentar, então proponha atividades físicas ao ar livre. Nesse período, o aumento nas estereotipias pode acontecer quando os hábitos estão mudando, os níveis de estresse podem ser elevados para crianças com autismo e o aumento das estereotipias pode ser o resultado comportamental do estresse percebido. Eles certamente não irão regredir, mas as atividades físicas podem ajudar no processo.

O mais importante é observar que nós e nossas crianças merecemos uma vida estável, com rotinas, saudável, com atividades físicas e que devemos, a nossa maneira, dentro das condições estabelecidas, manter o lazer e a qualidade de vida.

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Sobre o(a) autor(a)
Sandra Paro

Sandra Paro

Sandra Paro é mãe, professora, estudiosa, idealizadora da ABA+, analista do comportamento, consultora de recursos terapêuticos, corajosa, disciplinada e ensaísta para o ABA+
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