13 de julho de 2020

Comportamento e autismo

Por Sandra Paro

Crianças autistas podem se comportar de maneira a sobrecarregar a família e uma família consumida por esses comportamentos pode não enxergar exatamente a resposta ao comportamento.

São muitos os comportamentos relatados por familiares que podem ser corriqueiros no ambiente familiar e que, muitas vezes, merecem orientação de um profissional para que a família possa intervir no momento em que o comportamento ocorre e modificar de forma correta esse comportamento.

Uma das questões pelas quais a ciência ABA é recomendada para o tratamento de crianças no espectro é que a mesma funciona por que é intensiva, a pesquisadora Marta Hubner menciona que “na área do TEA, a ABA é a terapia comportamental que funciona porque é intensiva, sistemática e ensina habilidades. O autismo não é curável, mas é educável”. Assim sendo, ABA tornou-se a “queridinha” dos especialistas e recebe destaque considerável pela Organização Mundial de SaúdeMinistério da Saúde do Brasil ; não só por isso, mas também por ter sua eficácia comprovada, diferentemente de outras aplicadas no campo.

Os profissionais capacitados em ABA, recebem treinamento e são capacitados para interferir no momento em que comportamentos desafiadores ocorrem, mas não é o tempo todo que a sua criança está com o profissional e pode ser que exatamente quando ela não está, que esses comportamentos ocorram. O que os pais devem fazer?

Os comportamentos desafiadores podem ser repetitivos, ou uma perda completa de controle sobre um comportamento: os chamados colapsos, ou vistos por leigos como “birras”, mas esses não são os únicos, algumas crianças autistas podem ser física ou verbalmente agressivas, daí é quando o comportamento pode ser prejudicial para si ou para outras pessoas. Apesar de considerarmos o fato de que as crianças autistas são diferentes, alguns comportamentos descritos aqui podem ser identificados por muitos pais. A questão é: por que esses comportamentos acontecem?

A comunicação precária ou a total falta dela é uma das dificuldades que podem afetar o comportamento, mas uma peculiaridade (que sempre deve ser observada e relatada pelos pais) pode ser a alavanca de um ou mais comportamentos que poderão (se não forem controlados adequadamente) escalar (aumentar de intensidade ou frequência), são eles:

– ser sensível a coisas como luzes brilhantes ou barulhos altos;
– ansiedade, em especial com as mudanças de rotina;
– não entender o que está acontecendo ao seu redor;
– sentir-se desconfortável ou com dor.

Geralmente são comportamentos que devem ser identificados e que não são culpa de sua criança.
O comportamento autoestimulante “Stimming” é um tipo de comportamento repetitivo. Inclue: balançar, pular, girar, bater a cabeça, repetir palavras ou sons, ficar olhando para luzes ou objetos girando. Geralmente, é um comportamento inofensivo.

Já os colapsos são geralmente causados por uma perda completa de controle, quando as crianças estão sobrecarregadas. A principal indicação é manter a criança segura durante essa ocorrência. Nem sempre é possível evitar colapsos, mas podemos tentar preveni-los ou controlá-los.

Quando há estímulos demais em um ambiente, os colapsos podem ocorrer, nesses casos eliminamos luzes brilhantes do ambiente, deixamos, quando a criança gosta e permite, fones de ouvido com música relaxante e, principalmente, planejamos com antecedência qualquer mudança na rotina.
Quando os pais, a família, ainda estão aprendendo, é muito útil manter um diário registrando os principais acontecimentos e ver se é possível detectar algum gatilho de colapso. É uma boa maneira de conhecer melhor a sua criança e de prevenir esses comportamentos.

Se, sozinho, você não conseguir identificar o gatilho, peça ajuda ao psicólogo comportamental da sua criança, fale com a equipe que atende o seu filho, a comunicação com os profissionais pode ajudar muito, eles poderão orientá-lo como agir na próxima oportunidade, treinado, você terá como agir antes que esses comportamentos desafiadores ocorram.

Compartilhar

Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário

Sobre o(a) autor(a)
Sandra Paro

Sandra Paro

Sandra Paro é mãe, professora, estudiosa, idealizadora da ABA+, analista do comportamento, consultora de recursos terapêuticos, corajosa, disciplinada e ensaísta para o ABA+
Produtos em destaque
Últimos artigos adicionados